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MODA POSITIVA

A responsabilidade ambiental e social está embarcada em cada peça de roupa desenhada e produzida por Flávia Aranha

POR MARTA DE DIVITIIS

A RESPONSABILIDADE AMBIENTAL E SOCIAL ESTÁ EMBARCADA EM CADA PEÇA DE ROUPA DESENHADA E PRODUZIDA POR FLAVIA ARANHA

O cuidado é uma característica da marca. Está presente na modelagem das peças, sempre confortável e precisa, com linhas básicas e uma feminilidade atemporal. Apresenta-se, igualmente, na seleção e no tratamento da matéria-prima: linho, seda e algodão orgânico que ganham cores e estampas graças a pigmentos extraídos, por exemplo, de raízes e cascas de árvores. E, como já se pode imaginar, o cuidado alcança os fornecedores e trabalhadores da empresa, gerando impacto social positivo por meio da moda.

Da concepção dos itens à exposição na vitrine, a produção costuma se estender por seis meses. “No entanto, dependendo da técnica e do material, pode demorar um pouco mais,” diz Flavia Aranha, a designer e empresária por trás da grife que, desde 2016, conta com a certificação do Sistema B, a qual atesta o impacto e o desempenho econômico, social e ambiental do negócio.

Quem escolhe uma das criações de Flavia não leva apenas uma roupa: leva um produto que valoriza as pessoas envolvidas no processo de ponta a ponta, do cultivo da fibra ao manuseio nas araras das lojas, uma na Vila Madalena, na capital paulista, e outra em Paraty, no Rio de Janeiro, além de um e-commerce. São peças que combinam saberes ancestrais e contemporâneos e que enaltecem o meio ambiente.

Aos 17 anos, a moça nascida em Campinas, no interior paulista, mudou-se para a capital a fim de estudar moda. Preocupada com a sustentabilidade, numa viagem ao Oriente Flavia descobriu, na Índia, o tingimento com plantas. De volta ao Brasil, esforçou-se: pesquisou intensamente materiais naturais e processos produtivos, estudou botânica e química e, quando se sentiu preparada, abriu sua loja-ateliê em São Paulo. O ano era 2009.

Uma das preocupações que orientam o negócio é o zelo pelos valores morais e éticos. “Temos parceria com cooperativas em todos os biomas do Brasil. Atuamos com grupos de agricultura familiar e de extrativismo sustentável e privilegiamos os sistemas de agroecologia”, conta a empresária. O trabalho com a Rede Borborema de Agroecologia para o desenvolvimento de algodão agroecológico plantado na Paraíba serve de referência para outras iniciativas.

DESENVOLVIMENTO E ESCALA

Por cinco anos, Flavia e sua equipe se dedicaram a tonalizar os tecidos artesanalmente no próprio ateliê, fazendo uso de frutos, folhas, raízes e cascas de árvores de espécies nativas, como pau-brasil, urucum, macela e crajiru, entre outras. Em 2014, o tingimento natural entrou em processo industrial. “Utilizando os pigmentos naturais, nós desenvolvemos as cores em nossa cozinha e enviamos alguns tecidos para empresas parceiras, que realizam o tingimento em escala industrial, mas com responsabilidade ambiental”, conta a designer.

Em 2018 a estrutura do ateliê foi ampliada e, no ano seguinte, criações de Flavia Aranha desfilaram na São Paulo Fashion Week. A grife conquistou notoriedade, mas nunca deixou de lado a pesquisa – ela percorre a história da marca de modo orgânico, assim como o processo de produção, segundo a designer.

“À medida que fomos crescendo, tivemos de criar formas de lidar com a escala, e aí os desenvolvimentos resultaram das necessidades práticas mesmo. Fomos adaptando produtos da indústria tradicional e conectando saberes ancestrais com tecnologias contemporâneas.” Em outras palavras, valendo-se de inovações tecnológicas industriais, Flavia busca abrir possibilidades para processos que remontam aos nossos antepassados. “Na coleção Metamórfica, por exemplo, uma estampa foi produzida em estamparia rotativa.”

Atualmente, cerca de 500 peças chegam a cada loja mensalmente, e parte da produção é exportada. Enquanto isso, a empresária tira do papel, aos poucos, um projeto na área de B2B para incluir grandes empresas na cadeia do algodão agroecológico. “São 16 anos pensando em inovação para a indústria têxtil, em todas as pontas da cadeia. Nós sabemos que as empresas estão mais preocupadas em fortalecer suas narrativas com produtos éticos e rastreáveis. E entendemos que poderíamos levar nossa expertise para negócios que buscam alternativas sustentáveis em uniformes e brindes corporativos, por exemplo.”

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