Do Rio para o mundo sem perder o gingado, a carioca Farm faz collabs criativas e realiza o sonho global de Katia Barros
POR LÍVIA BREVES
Colorida, espontânea e leve. A Farm, Bastos, nasceu com o pé nas areias do Rio de Janeiro e o coração pulsando no ritmo da cidade. Mas o que começou com o desejo de criar roupas que traduzissem o espírito livre da mulher brasileira hoje é um projeto global de estilo de vida que se expande para o mundo sem perder a alma tropical. “A Farm tem algo muito orgânico e intuitivo. Nunca foi completamente planejada para ser assim. Foi uma construção feita a partir de vontade e verdade”, conta Katia, que hoje comemora os 28 anos da marca com o lançamento de mais um selo, o Farm Etc, com loja em Ipanema, e, em breve, uma nova linha voltada para adolescentes, a Farm Futura, dentro do braço Fábula, para o público infantojuvenil.

A brasilidade sempre foi o ponto de partida. Mas, segundo Katia, nunca houve o objetivo de restringir-se a rótulos como “moda praia” ou “resortwear”. “Eu não queria ser nichada. Entendi que dava para transformar nossos principais ativos –tropicalidade, natureza e alegria– em códigos universais”, explica.
Esses códigos ganharam nomes: Nature Lovers e Dressing Happiness. São eles que orientam as criações e a comunicação da Farm internacionalmente. “Quem não ama a natureza? Quem não busca alegria?”, questiona Katia. É sobre essa premissa que a grife constrói narrativas em diferentes mercados, adaptando o design às sazonalidades de cada país. Exemplo disso foi a concepção de uma coleção com foco no esqui, desenvolvida com a mesma estética solar da marca, porém pensada para climas frios. “Fizemos uma coleção inteira para a neve e outra para a praia, e elas conversaram entre si. Isso é Farm”, diz.
A FORÇA DA COLABORAÇÃO: ESPEDITO, CAMPANA, GILBERTO GIL E MUITO MAIS
Uma das maiores riquezas da Farm é sua capacidade de criar em rede. Já são conhecidas as colaborações com nomes fora do universo da moda, como o mestre artesão Espedito Seleiro, o arquiteto e designer Marcelo Rosenbaum, o artista plástico Gringo Cardia e, mais recentemente, o Estúdio Campana, que assina a ambientação da loja-conceito de Londres, dentro da loja de departamentos Selfridges. “Tenho muito desejo de co-criar com pessoas que não são da moda. Gosto da mistura, da liberdade criativa. Para mim, o [designer] Humberto Campana representa a máxima potência do Brasil”, declara Katia.
Os frutos dessas parcerias se manifestam em experiências multissensoriais, como na loja-conceito londrina. “O universo da Farm me inspirou porque me sinto conectado à marca. Ambos pesquisamos o Brasil profundo, na grande riqueza da cultura brasileira. Farm vibra e Campana também vibra”, diz Humberto. E continua: “O cenário foi inspirado nos manguezais. Temos uma enorme estrutura de vime com flores coloridas feitas artesanalmente”.
Mais do que uma desenvolvedora de coleções, a grife tem se posicionado como uma plataforma de expressão cultural. “A gente quer estar perto dos grandes gênios brasileiros. Mas também de jovens talentos, artistas, designers, músicos. É uma construção coletiva”, afirma Katia, destacando que a Farm assina o figurino da turnê Tempo Rei, a última de Gilberto Gil.
Com lojas próprias em Nova York, Miami, Califórnia, Washington, Paris, Londres, México, Dubai e Mikonos, além de forte presença em butiques e lojas de departamento pelo mundo, a Farm já se consolidou como uma marca global. O sucesso além-mar não veio por acaso: envolveu estudos de mercado, ajustes de produtos e muita escuta cultural. “Quando decidimos internacionalizar, entendemos que era um projeto de negócio, não só de marketing. Nosso produto precisava competir com o fast fashion internacional em qualidade e apresentação. E precisava falar o idioma do consumidor local, mantendo a essência.”
FARM ETC E O FUTURO DO LIFESTYLE CARIOCA
Aposta mais recente da grife, a Farm Etc é uma extensão desse estilo de vida solar. Muito mais do que vestuário, a loja traz produtos que “não cabem no cabide”: bicicletas, skates, pranchas, mochilas, bijuterias, acessórios esportivos e patins. “A tag line é ‘Bora viver’. É sobre estar na rua, se mexendo, se desconectando do celular. É uma proposta de vida ao ar livre”, resume a fundadora do negócio. O novo selo dialoga com um público mais jovem e chega acompanhado de outras frentes em expansão, como a Farm Futura, linha voltada para meninas entre 10 e 14 anos que integra a Fábula, marca infantil da Farm. Katia acredita que o maior trunfo de sua grife é continuar fiel a sua essência. “Tem cor, tem suingue, tem verdade. Representamos o Brasil de forma leve, com simpatia. E isso tem valor lá fora. A Farm é muito crocante”, diz Katia, com o sotaque carregado de orgulho.
Na imagem de capa: Looks da coleção Amazonikas, que destaca em estampas a força estética e pluralidade da região


















