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LUGAR DE CONECTAR

O escritório do futuro é um espaço de encontro, criatividade e colaboração, não apenas um local para realizar tarefas individuais

O escritório do futuro é um espaço de encontro, criatividade e colaboração, não apenas um local para realizar tarefas individuais

POR CARINE SAVIETTO

HÁ QUASE SEIS ANOS, a pandemia nos afastou dos escritórios, e então descobrimos que podemos adotar ambientes e rotinas de trabalho mais flexíveis, sem sacrificar a produtividade nem o profissionalismo. Nessa nova era do anywhere office, no entanto, também ficou evidente que não nos interessa viver em isolamento. Aprendemos a valorizar o olho no olho, o sensorial, o estar juntos de verdade.

Entre o presencial e o home office, a sociedade vislumbrou um possível caminho do meio. “De modo geral, percebemos –e isso já é relatado em pesquisas acadêmicas– queno  modelo híbrido as pessoas produzem mais, ganham qualidade de vida e classificam os valores da empresa em níveis mais altos”, diz a fisioterapeuta Cristiane Cecato, ergonomista sênior de processos e produtos da Cavaletti, marca de móveis corporativos.

O AMANHÃ ESTÁ NO NOT OFFICE

“Se a gente pensar na etimologia da palavra escritório (do latim scriptorium, ‘lugar para escrita’), o futuro do local de trabalho certamente é o não escritório”, assegura Carlos Andrigo, senior project designer da empresa de arquitetura e design Perkins&Will São Paulo. “Na abordagem híbrida, o que a gente menos faz no presencial são as tarefas focadas individuais, que podem ser realizadas em casa. O novo espaço organizacional é um hub para colaboração, aprendizado e resolução de problemas por meio do capital humano.”

Logo, as salas flexíveis e multiuso são as ideais, na opinião do arquiteto: “Imagine um espaço que se adapta às dinâmicas das metodologias ágeis e do design thinking, com móveis retráteis que se transformam conforme a necessidade, uma grande mesa de reuniões que se fragmenta em ilhas de trabalho para grupos menores”. Lounges, salinhas, cafés, pátios e varandas voltados à socialização e à experiência de bem-estar se somam a esse território e já não são considerados áreas de descompressão, desconectadas dos setores produtivos –ao contrário, são ambientes vivos e centrais. 

“Na medida em que o design corporativo olha cada vez mais para o conforto e a experiência, o conceito de home feeling vem se tornando onipresente”, declara a arquiteta e designer Karol Suguikawa, head of insights da marca de mobiliário de design Breton. “Antes da pandemia, um cliente corporativo não se interessava pelo tecido do sofá, por exemplo. Hoje ele quer saber. O toque é importante.”

A CIÊNCIA DOS AMBIENTES SAUDÁVEIS

Nos novos espaços de trabalho, a neuroarquitetura leva à inovação. “Um dos aspectos essenciais é o design salutogênico, baseado nos efeitos que os ambientes exercem sobre o cérebro humano para criar contextos favoráveis à saúde física, emocional e psíquica”, explica o arquiteto Lorí Crízel, presidente da anfa no Brasil (Academy of Neuroscience for Architecture). Quando pensa no amanhã dos escritórios, o especialista visualiza espaços que maximizam a luz natural para regular o ritmo circadiano dos trabalhadores; que adotam cores e materiais motivadores de estados de alerta e relaxamento; e, ainda, que integram plantas e elementos biofílicos para reduzir o estresse e aumentar a conexão com a natureza.

A personalização do mobiliário para atender às necessidades individuais dos usuários, independentemente de suas características físicas, idade, gênero ou condições de neurodiversidade, também emerge. “Estamos aprimorando o foco no design universal e na composição de espaços que apoiem a saúde, a felicidade e a inclusão”, afirma a arquiteta Andrea Soria, diretora de estratégia de ambiente de trabalho para a América Latina e Caribe da MillerKnoll, grupo de marcas de mobiliário e design.

Na prática, ferramentas como ergonomia customizável e design têm sido essenciais para incorporar conceitos de hospitalidade nos ambientes profissionais. “As corporações querem que seus colaboradores frequentem esses locais não porque são obrigados, mas porque sentem. prazer nisso”, sintetiza Sérgio Athié, arquiteto e sócio-fundador do Athié Wohnrath, referência nacional em arquitetura corporativa. “A ideia de que essa visita seja motivada pela jornada que o funcionário vai encontrar ali, ou seja, pela forma como vai se conectar com os colegas, com a cultura da empresa e com o próprio ambiente, está cada vez mais ligada à capacidade de atrair, reter e desenvolver talentos.”

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