Com mais de 30 colaboradores em todo o Brasil e clientes de peso, a exemplo do podcast Mano a Mano (apresentado por Mano Brown), da incorporadora Somauma e do banco Itaú, a agência de design e comunicação Colletivo já consolidou seu espaço no cenário nacional de branding. Mas nem sempre foi assim: há 22 anos, quando começou a engatinhar, era somente um grupo de alunos de Design Digital da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.
Marcelo Roncatti, Vanessa Queiroz, Fabio Couto e David Bergamasco sempre se juntavam para fazer os projetos acadêmicos, parceria que nunca teve fim. O primeiro grande case de sucesso foi um estudo sobre o filme Apocalipse Now, de Francis Ford Copolla, apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso (tcc). Depois de formados, os amigos resolveram empreender juntos em uma pequena sala sem janelas no bairro da Vila Olímpia. Investimento inicial? R$ 700. Era o início dos anos 2000, época em que o design profissional ainda era incipiente no Brasil, com as áreas gráfica, digital e de produto se misturando desordenadamente. Nesse primeiro momento do negócio, até como reflexo do mercado, o quarteto fazia um pouco de tudo: ilustrações, materiais de papelaria e publicidade, incluindo uma revista de festas infantis e uma campanha maior para a marca Cavalera. “A gente pensava que se não falisse em dois anos, o negócio daria certo”, lembra a sócia-fundadora, Vanessa.
O PONTO DE INFLEXÃO
Em 2005, um trabalho experimental –coordenado pelo designer Nando Costa e publicado no site Brazil Inspired– do Colletivo atraiu a atenção da agência americana TracyLocke, pertencente ao grupo Omnicon, que chamou o grupo para assinar uma campanha da Mountain Dew, marca americana de refrigerantes. “Foi uma virada. A gente não sabia nem como cobrar. Pensamos em pedir 300 dólares, mas fechamos em 5 mil dólares”, narra Vanessa. “Daí uma coisa foi puxando a outra: fizemos as latas da Pepsi Max para o mercado asiático, o grafite da Casa Mountain Dew, campanhas para a mtv , ilustrações para as Havaianas… Em 2007, ganhamos um prêmio na Nickelodeon Itália por uma criação em stop motion.”
O reconhecimento internacional abriu mais portas no Brasil. E, em meados de 2010, a decisão por focar em branding proporcionou ao Colletivo maior controle criativo e contato direto com clientes finais. Os ganhos financeiros foram investidos na empresa, que já mudou de endereço seis vezes e passou a contratar mais funcionários, que trabalham no modelo híbrido.

A diretriz que até hoje dá norte ao Colletivo é incentivar o ineditismo criativo por meio da experimentação. Exemplo disso foi a campanha “Nike Canarinho”, em parceria com a Choque Cultural, a primeira 100% brasileira da Nike, que abrangeu 180 lojas no país em 2010. Mas sempre há espaço para novidades e evolução do negócio. “Nunca podemos deixar de explicar e mostrar para o mercado o que é o design, sua importância. Precisamos ter coragem criativa, principalmente nos tempos digitais. Não podemos ter medo”, finaliza Vanessa.

















