As inquietações de Solange Pessoa

As mostras Sonhíferas e Nihil Novi Sub Sole, selecionadas para a Bienal de Veneza, trazem questionamentos da artista.

Por Eliana Castro

Fotos: Arquivo Pessoal Solange Pessoa

A artista Solange Pessoa odeia rótulos. Representada pela galeria Mendes Wood, ela foi convidada a exibir suas obras na Bienal de Veneza, que começou em 23 de abril e vai até 27 de novembro.

Para essa Bienal, sob curadoria de Cecilia Alemani e em que o tema escolhido é Il latte dei sogni (em livre tradução, O leite dos sonhos), Solange ganhou dois espaços de destaque.

No Arsenale, base naval que se tornou um dos locais de exposições da Bienal por ocasião da 1ª Exposição Internacional de Arquitetura em 1980, Solange apresenta a mostra Sonhíferas. São 14 desenhos que parte das suas pesquisas desde os anos 80, quando Solange passou a desenvolver sua arte.

São imagens energéticas, que parecem fazer parte de universo primitivo ao mixar formas humana, vegetal e animal. “Penso que tem muito a ver com a apresentação dos corpos e suas metamorfoses, a conexão entre corpos e terra, questões trans-históricas. Desde sempre transito nesses temas”, explica.

O desenho, aliás, foi a sua primeira manifestação expressiva e sensível, que começou durante a adolescência e continua importante.

A outra mostra de Solange na Bienal de Veneza é Nihil Novi Sub Sole (em livre tradução: Não há nada de novo sob o sol), uma instalação de 55 esculturas feitas de pedra sabão e que estão expostas no Giardino Delle Vergine, jardim do Arsenale.

Apesar de a pedra-sabão estar muito associada a Minas Gerais, Solange faz questão de dizer que isso não tem nada a ver com a sua escolha. “Meu trabalho não está fixado a um lugar. Ele traz memórias do homem, reminiscências e arquétipos. É algo mais geo-psíquico”, afirma.

“Eu fico vendo essa coisa de artista brasileira, arte brasileira… acho muito chato, porque embora o trabalho esteja ligado às questões brasileiras e mesmo mineiras [a artista é mineira], ele está ligado mais profundamente às questões universais”.

Professora aposentada da Escola Guignard, em Belo Horizonte – desde 2017 –, uma das escolas mais importantes de arte do País, onde também estudou, Solange explica que suas obras não surgem de ideias que, depois, são executadas.

“Meu processo de criação é sempre querer organizar os pensamentos e sentimentos que afloram à luz do dia ou da noite”, conta. “É sempre meio obscuro e gosto disto. As coisas vão acontecendo e ganhando um corpo que vou observando”.

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