Hans Donner: de volta às origens

Hans Donner, o “mago das telas”, assina a capa da &Design e conta sobre seus novos projetos.

Por Eliana Castro

Fotos: Renato Neto

Durante décadas, Hans Donner provocou espanto em milhares de pessoas sentadas em frente à TV, que viam acontecer, nas vinhetas dos programas da Globo, suas “mágicas”. Uma delas é a inesquecível imagem de um macaco descascando uma banana, de onde saía uma mulher.

Hoje, isso pode ser algo banal. Mas nos anos 1980, em um mundo no qual a tecnologia ainda engatinhava, era preciso reunir criatividade e conhecimento gráfico para conseguir elaborar efeitos especiais com as poucas e insipientes ferramentas tecnológicas disponíveis. Não por acaso, Hans Donner ficou conhecido como “o mago das telas”. Não por acaso, a revista &Design decidiu convidá-lo para criar a capa desta edição inaugural.

“Nos últimos 46 anos, o público se habituou a ver diariamente imagens que eu criava para a TV, mas grande parte delas não permaneceu na cabeça das pessoas. No entanto, em uma revista impressa as imagens têm permanência”, diz. “Então, para mim, que sou designer gráfico de formação, é uma experiência incrível.”

Aos 25 anos, recém-formado em design gráfico na Áustria, Hans decidiu tentar a sorte no Brasil. Com o portfólio debaixo do braço, visitou várias agências de publicidade à procura de emprego. Já estava desistindo quando, ao entrar em um elevador, encontrou um moço que puxou prosa em inglês.

Na rápida conversa, Hans contou seus planos e comentou que não havia tido sucesso e estava voltando para seu país. “O rapaz, então, disse que eu deveria conversar com o Boni, diretor da Globo. Contou que tinha contato e prometeu marcar uma reunião”, lembra.

“Nos últimos 46 anos, o público se habituou a ver diariamente imagens que eu criava para a TV, mas grande parte delas não permaneceu na cabeça das pessoas. No entanto, em uma revista impressa as imagens têm permanência”

Importante ressaltar que é muito difícil conseguir que Hans dê detalhes e datas de suas histórias. Ele atribui todas elas à sorte, à providência divina. E, sendo um “mago”, seria até desrespeito cobrar precisão dele, que prefere deixar tudo o que vive e viveu com toques mágicos.

Enfim… O fato é que a tal reunião com o José Bonifácio Sobrinho ocorreu sem que ele tivesse a menor ideia do poder da Globo. Saiu de lá sabendo que a emissora queria um novo logo para a empresa. Com o visto de turista expirando, pegou o avião de volta ao seu país e, ainda no céu, desenhou em um guardanapo o esboço da logomarca. Foi contratado durante décadas pela empresa, onde ganhou notoriedade.

O fato é que a tal reunião com o José Bonifácio Sobrinho ocorreu sem que ele tivesse a menor ideia do poder da Globo. Saiu de lá sabendo que a emissora queria um novo logo para a empresa. Com o visto de turista expirando, pegou o avião de volta ao seu país e, ainda no céu, desenhou em um guardanapo o esboço da logomarca. Foi contratado durante décadas pela empresa, onde ganhou notoriedade.

Atualmente, Hans trilha outros caminhos. Tem trabalhado em projetos que trazem outro modo de olhar sobre o tempo. Seu relógio Flow Onne usa a luz como marcador. Nele, tons de degradê vão deslizando em círculos para marcar a passagem dos segundos, dos minutos e das horas.

“Queria que a peça chamasse a atenção não apenas pelo diferente e pela beleza, mas trouxesse a ideia de fluidez. E o principal: conseguisse acalmar as pessoas, porque seu design foi concebido com a função máxima de alertá-las sobre o valor do tempo em nossa vida”, explica.

Este mês, ele assina o Loft do Designer, um espaço na CasaCor de Curitiba. O Flow Onne aparece em computadores, embutidos em espelhos, e o espaço traz móveis e outras peças inspiradas no design do relógio. O designer também assina a Timepixel, uma linha de tapetes em que a imagem principal é formada por pontos (pixels) com o desenho do relógio.

Recentemente, fez também sua estreia na arquitetura: lançou o primeiro edifício em Goiânia com sua assinatura. “Poder explorar diferentes áreas, como estou fazendo agora, é algo que eu não esperava. Mas está acontecendo. Então, para mim, é como se fosse sonho. E, se for mesmo um sonho, gostaria que ninguém me acordasse.”

Veja o depoimento de Hans Donner sobre o tempo:

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