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ARQUITETURA EM ESCALA DE OBJETO

O Triptyque, renomado escritório franco-brasileiro, comemora 25 anos de história e une forças com a Breton para transpor sua filosofia estrutural –que equilibra concreto e natureza– para a escala íntima do mobiliário

O Triptyque, renomado escritório franco-brasileiro, comemora 25 anos de história e une forças com a Breton para transpor sua filosofia estrutural –que equilibra concreto e natureza– para a escala íntima do mobiliário

POR NÁDIA SAYURI KAKU

A ESTREIA DO Triptyque Architecture no universo do design autoral de mobiliário é mais do que um novo catálogo de peças: é um desdobramento natural do pensamento construtivo e da trajetória do escritório franco-brasileiro. Com sedes em São Paulo e Paris, a empresa comandada por Guillaume Sibaud e Olivier Raffaëlli sempre se pautou pela experimentação e pela exploração da cidade como matéria viva, utilizando abordagem naturalista e racionalista.

Essa perspectiva, com a qual conquistou o reconhecimento internacional com projetos de diferentes tipologias –como o hotel-residência Fasano Cidade Jardim em São Paulo e a Vila dos Atletas dos Jogos Olímpicos de Paris (feita em parceria com Chaix & Morel)–, encontra agora nos móveis um novo campo de investigação. “Cada peça é como uma microarquitetura”, explica Sibaud. Concebida em parceria com a Breton, a coleção Assemblage reúne nove peças que transportam os fundamentos da arquitetura –o vão, o apoio e a tensão entre a matéria e o vazio– para a escala doméstica. São mesas, bancos, sofá, cadeira, pufe, estante, aparador e poltrona. “Optamos por começar com o mobiliário voltado à sala porque é o espaço da convivência, onde as relações entre corpo, objeto e arquitetura se tornam mais evidentes. Isso nos permitiu explorar uma gama variada de gestos, que vão do apoio ao descanso, do acolhimento ao equilíbrio”, justifica Raffaëlli. 

O nome Assemblage, inclusive, vem das artes plásticas e remete à técnica tridimensional de reunir e combinar elementos diversos para dar forma a uma nova obra. O foco na estrutura define e revela o cerne da nova linha: encaixes de madeira visíveis funcionam como elementos de fixação e compõem o conceito estético de toda a coleção. “Eles são uma celebração do encontro entre matéria e forma e representam um diálogo direto com a arquitetura, onde a junção entre elementos é também linguagem”, diz Sibaud. A escolha por nomear cada criação com siglas (em vez de uma nomenclatura descritiva) reforça o caráter preciso e técnico que orientou o desenvolvimento do projeto. Além da dupla francesa, a equipe paulistana de interiores do Triptyque, comandada por Filipe Tavares, também assina a autoria.

Guillaume Sibaud e Olivier Raffaëlli, co-fundadores da agência franco-brasileira Triptyque, e peças da coleção Assemblage, lançada pela Breton

Paleta de acabamentos reflete a busca por uma verdade construtiva. A madeira explora a flexibilidade, o apoio e a leveza, além de proporcionar diversas tonalidades e texturas. As pedras –todas encontradas no Brasil– introduzem o peso, a densidade e o apoio no solo. “Quando combinados, esses materiais estabelecem um diálogo entre o que flutua e o que ancora, conceitos fundamentais do nosso fazer arquitetônico”, diz Raffaëlli. Para produzir as peças, a Breton precisou adaptar processos internos na fábrica. “Tivemos que alocar um time dedicado exclusivamente ao desenvolvimento. Também adequamos nosso trabalho com mármores e com travas e sistemas de fixação”, conta Daniel Pegoraro, diretor de estilo, imagem e produto da empresa.

Os desafios não devem parar por aí, nem para os criadores, nem para a produção: novas peças já está em estudo pelo escritório. Os planos abarcam diferentes escalas, sempre com foco na inovação e na melhor relação entre o ser humano, a natureza e o espaço construído. “Continuamos acreditando que projetar é um modo de pensar o mundo, não de encerrá-lo em respostas definitivas”, finaliza a dupla.

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